O café como estimulante e alimento
Estima-se que o café seja conhecido há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kafa (daí o nome “Café”). Mas o primeiro registro comprovado da existência da planta é do século XV (por volta do ano de 1.400 d.c.). Nessa época, o café foi descoberto como diz a história por pastores de cabras etíopes. Onde eles notaram que quando os animais comiam uma pequena cereja (o fruto do café) tornavam-se mais espertos e resistentes.
Antigamente, o povo etíope em suas peregrinações através dos desertos, costumavam levar 6 bolsas de couro, como seu único alimento, bolos esféricos, do tamanho de bolas de bilhar, que eram assados em braseiro feitos no chão e preparados com café, misturados com óleos e gorduras.
Da Etiópia o café foi levado para Arábia por mercadores, onde a planta e o produto foram grandemente difundido. Ali foi chamado de Kahwa (vinho na linguagem árabe), podendo também ser a origem do nome café.
Na medicina árabe a bebida era indicada como preventivo de sonolência, para cura de dores de cabeça e tosse estimulante do cérebro. Tinha indicação também como moderadora de beberrões, auxiliar da digestão, para aliviar incômodos periódicos das mulheres árabes, combater vermes das crianças, entre outras indicações.
É interessante notar que na África, berço do café, houve pouco interesse no cultivo da planta até a Primeira Guerra Mundial. Só depois de 1918 é que se iniciou naquele continente a expansão cafeeira, estimulada pelas metrópoles européias. A sabedoria dos nativos africanos porém, já levava-os a explorar as propriedades medicinais da planta há pelo menos dois séculos antes. Quando os europeus chegaram ao ex-Congo Belga, por exemplo, as tribos já haviam descoberto há muito tempo os efeitos estimulantes de bebidas preparadas com folhas de cafeeiros.
Até hoje a bebida café tem sido indicada para muitas dessas finalidades. Pesquisas têm sido realizadas, como a do Professor e Doutor Darcy Roberto Lima da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que concluem que o café atua no sistema nervo central, sistema cardiovascular, trato gastrointestinal, rins e fígado da seguinte forma:
- Estimula o cérebro;
- Têm cafeína e lactonas;
- Diminui a apatia e depressão;
- Estimula a memória, atenção e concentração;
- Ajuda a prevenir o consumo de drogas e álcool;
- Diminui a incidência de cirrose em alcoólatras.
Os árabes tentaram manter o privilégio, pois foram os primeiros a cultivar a planta, mas descoberta por poderosos palacianos foi difundida pelas nobrezas do ocidente.
Entrou na Europa levado pelos orientais no século XVII, através da Itália e Inglaterra por volta de 1670. Na Inglaterra sofreu a concorrência de cervejeiros e vendedores de bebidas alcoólicas instalando-se em casa comercial com o nome de “Virgia Coffee-House”.
Em 1671 chegou a frança, onde foi aberto o primeiro estabelecimento em Marselha depois Lyon e Paris. Ficaram famosos os Café parisienses que eram freqüentados por intelectuais da época. Voltaire, por exemplo, quando alguém afirmava que o café era veneno, dizia: “veneno lento, sem dúvida, pois a 50 anos que o bebo sem que ele tenha produzido efeito”. Voltaire morreu com 84 anos de idade.
Depois o café foi levado para a Alemanha, Suíça, Dinamarca e Holanda, foi levada uma planta para Guiana Holandesa (hoje Suriname), daí para a Guiana Francesa de onde o Sargento Mor Francisco de Melo ganhou de presente de sua amante, a mulher do governador da Guiana Francesa, sementes de café escondidas em um vaso de planta, transportando assim para o Brasil por contrabando (Belém do Pará), para todos os estados em 1727, mil e tantos frutos e cinco plantas.
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